[News] O Centro Cultural Correios RJ apresenta a exposição 'Três Marias', reunindo trabalhos de Daniela Schiller, Mariana Porto e Flavia Renault, de diferentes momentos de suas trajetórias.

 O Centro Cultural Correios RJ apresenta a exposição 'Três Marias', reunindo trabalhos de Daniela Schiller, Mariana Porto e Flavia Renault, de diferentes momentos de suas trajetórias.





Com curadoria de Ruy Luduvice, as artistas trazem uma visão feminina e conexões entre o ancestral e o contemporâneo.






O Centro Cultural Correios RJ apresenta a exposição 'Três Marias', reunindo trabalhos de Daniela Schiller, Mariana Porto e Flavia Renault, de diferentes momentos de suas trajetórias. As artistas compartilham os mesmos princípios e ideias da arte como experiência e possibilidades.

Grande parte dos trabalhos são feitos em tecidos, sejam nas pinturas de céus imaginários de Daniela, nos bordados e trançados de Mariana, ou nos vestidos de Flavia. A mostra, com curadoria de Ruy Luduvice, traça um recorte do universo com ações femininas, possibilitando conexões entre o ancestral e o contemporâneo.


A mostra 'Três Marias' será aberta no dia 20 de dezembro, das 16hs às 19hs, e pode ser visitada até 24 de fevereiro de 2024, no 3º andar do Centro Cultural Correios RJ, de terça a sábado, das 12h às 19h.


Texto crítico -  Ruy Luduvice


Trajetórias de artistas visuais no Brasil se fazem de muitas maneiras, porém sempre com um traço comum: a decisão resoluta de trabalhar na matéria a obsessão criativa que toma alguns indivíduos. Silenciosamente ou com estardalhaço, precariamente ou em meio à abundância, dia após dia o labor da arte é tecido entre as responsabilidades cotidianas. Esta exposição é um belo testemunho de como persistir na invenção do sentido e na ampliação da sensibilidade, resultado do entrelaçamento voluntário dos caminhos poéticos de Daniela Schiller, Flávia Renault e Mariana Porto, que optam por se mostrarem ao público reunidas temporariamente em voz coral, numa mostra na qual obras feitas em diferentes contextos e momentos das respectivas carreiras compõe uma espécie de grande instalação que se matiza de sala em sala, celebrando um laço de amizade que é camaradagem e sororidade na arte e na vida.


Daí a opção pela alusão ao asterismo das Três Marias, como é conhecido em português o cinturão da constelação de Órion, figura criada da perspectiva humana do céu em seu esforço de ampliação da imaginação simbólica que quer dar conta do infinito. Mencionadas brevemente na Bíblia, as Marias visitantes do túmulo de Jesus se tornaram, apesar da escassez dos relatos, figuras largamente presentes no imaginário da religiosidade popular, muitas vezes como versões femininas dos reis magos. Mas se estes recebem o nascimento do Salvador oferecendo riquezas materiais, estas trabalham na passagem da morte do humano que renascerá – também três dias depois -, vencendo a morte, purificando o mundo e instaurando o grande mistério. Figuras herdeiras de deusas pré-cristãs, se estabelecem como avatares de passagem entre o sagrado e o profano. Este caráter arquetípico da feminilidade como a portadora de saberes muitas vezes recalcados pela racionalidade instrumental é presente nos trabalhos expostos tanto pela hegemonia da arte têxtil presente de uma forma ou de outra em todas as peças, bem como nas ciências dos astros de Schiller, da indumentária de Renault e na costura de linha e contas de Porto, por exemplo.


São saberes que até pouco tempo viviam relegados à pobreza de divisões muito simplistas entre arte e artesanato, ciência e técnica, alta e baixa cultura, esquemas de compreensão da produção imagética dos quais felizmente temos nos despedido.
 

Esses signos associados à mulher são agenciados com segurança e maturidade pelas artistas, pois sem nenhum compromisso com a construção de identidades fixas ou de uma vivência de gênero que quer se ver apressadamente como substância. Aliás, se ela existe é líquida ou vaporosa, como as figuras fantasiosas que uma vez possam ter vestido as peças de Renault, surgido entre as cartas celestes de Schiller ou festejado em meio à geometria discreta e lúdica de Porto. Trata-se de abordar aquilo que as atravessa na relação entre corpo, alma e mundo, convidando o público a redescobrir esta dimensão que está de alguma maneira em todos nós.


Sobre as artistas


Daniela Schiller, São Paulo, Brasil, 1968, vive e trabalha em São Paulo. Formação acadêmica -  1993 arquiteta e urbanista FAUUSP

Daniela é pesquisadora de cartografia: mapas de astronomia, mapas celestes europeus do século XVI, mapas astrais além dos corriqueiros mapas de cidades. Vem pesquisando, nos últimos tempos, a relação entre a cosmologia ocidental e cosmologia dos povos indígenas brasileiros. Através da pintura e bordado a artista busca estabelecer a relação entre a terra e o cosmos, tecendo uma associação muito particular dos símbolos e mitos, buscando um recorte pessoal para a imensidão dos cosmos.


Flavia Renault - Rio de Janeiro, 1971, vive e trabalha em São Paulo/SP. Formação acadêmica: bacharelado em artes plásticas pela Fundação Armando Álvares Penteado em 2001.


Flavia tem sua pesquisa explorando as nuances entre vida e morte, abordando o conceito de renascimento como ocorrências metafóricas. Sua análise se estende à multiplicidade desse conceito, incluindo sua manifestação como ciclo, revisitação de memórias, sobreposição de fatos e transformações.


Na busca por inspiração, Flavia dedica-se ao estudo da Antroposofia, das Leis Biográficas conforme Steiner e da Fenomenologia de Goethe, valendo-se da observação da natureza. Essa imersão a leva a uma transformação artística, onde bordados se metamorfoseiam em paisagens, anatomia se converte em representações de plantas, e papéis rasgados ganham vida como estalactites, mapas ou nuvens. Atualmente esses territórios passaram a viver em diversos vestidos fantasmagóricos, performances e vivências.


Mariana Porto - São Paulo, 1974.   Formação acadêmica : 1997, Bacharelado em Artes Plásticas, Faculdade Santa Marcelina, São Paulo, Brasil

A obra de Mariana Porto tem o tecido como suporte principal. Para além de uma pesquisa cromática e de combinações de materiais, seus trabalhos investigam os limites entre arte e objeto, e frequentemente tratam de um espaço mítico a partir de símbolos universais. A artista vem ampliando seu repertório de mídias e linguagens, sendo exemplos as performances e seus registros em vídeos e fotos, e a ocupação do espaço arquitetônico com instalações têxteis. Uma autoria compartilhada e coletiva também se apresenta em trabalhos nos quais a artista se disponibiliza à escuta e à colaboração com observadores-participantes

 

Sobre o curador


Ruy Luduvice (São Paulo, SP, 1985) é professor universitário, crítico de arte e curador. Antes foi arte-educador durante mais de dez anos, além de atuar na pesquisa e preservação de acervos de arte contemporânea. Possui graduação (2009), mestrado (2013) e doutorado (2022) em Filosofia pela Universidade de São Paulo, com dissertação sobre a obra da artista Louise Bourgeois e tese sobre o pensamento do filósofo Georges Bataille. Seus estudos se concentram na Filosofia e História da Arte do final do século XIX até o pós 2ª Guerra; e pelas relações entre ética, estética e artes na contemporaneidade.


Serviço

Exposição: 'Três Marias'
Artistas: Daniela Schiller, Mariana Porto e Flavia Renault
Instagram: @flaviarenault_art @estelares__ @marianaportoart
Curador: Ruy Luduvice
Abertura: 20.12.2023, das 16h às 19h
Visitação: 21.12.2023 a 24.02.2024
Local:Centro Cultural Correios RJ - 3º andar
Rua Visconde de Itaboraí, 20 - Centro - RJ
Dias e horários: terça a sábado, das 12h às 19h
Assessoria de Imprensa: Paula Ramagem
Apoio:  Centro Cultural Correios RJ

A exposição tem como público-alvo empresários, profissionais liberais, colecionadores, professores, estudantes e público em geral.
Evento gratuito
Censura Livre.

Como chegar: metrô (descer na estação Uruguaiana, saída em direção à Rua da Alfândega); ônibus (saltar em pontos próximos da Rua Primeiro de Março, da Praça XV ou Candelária); barcas (Terminal Praça XV); VLT (saltar na Av. Rio Branco/Uruguaiana ou Praça XV); trem (saltar na estação Central e pegar VLT até a AV. Rio Branco/Uruguaiana).

Acessibilidade: adaptado para pessoas cadeirantes




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